Uma Introdução

Uma Introdução

Porque criar um blog sobre as coisas que eu presenciei e ouvi durante minha carreira como professora de Educação Básica?

Nunca achei que alguém se interessasse por coisas que para mim são comuns, o cotidiano de uma professorinha.

Mas um amigo (Joseph), pensa diferente. Ele achou que minhas histórias poderiam ser interessantes. E me incentivou a escrever um Blog.

Talvez ele tenha razão. Afinal, uma pessoa que está em sala de aula a mais ou menos 20 anos deve ter algumas histórias para contar. E posso dizer que minha vida de professora (e esse blog é só sobre isso) não foi nada calma. Monotonia nunca fez parte da minha vida profissional. Criança é um bichinho que inventa...

As histórias que vou contar aqui são variadas. Algumas aconteceram comigo, outras com amig@s e alun@s. Para preservar a identidade das pessoas que foram protagonistas das histórias, vou trocar não apenas os nomes, mas outras características (idade/sexo/lugar onde o fato ocorreu). Resumindo, vou contar as histórias, mas sem revelar dados que possam identificar as pessoas envolvidas. Conto o milagre, mas não digo o santo.

Convido vcs a lerem um pouco dessas minhas 'aventuras' como professora. Trabalhei (e trabalho) em escolas de bairros bem pobres, onde faltava quase tudo. Menos a boa vontade de colegas e diretores para fazer a coisa dar certo. Pelo menos na maioria das vezes.

Formatação demais...



Quem me conhece sabe que não sou muito de seguir padrões, regras, ...



Isso não quer dizer que abomino regras. Acho que precisamos de regras para uma boa convivência. Mas não vou me anular como pessoa para 'caber' dentro de um determinado formato.

Não vou usar vestidos para me mostrar 'feminina', ou preferir o rosa ao azul pq sou 'menina'.

Isso eu pensava antes de mergulhar nos textos da academia sobre gênero. Aliás tenho MUITO a agradecer a pessoas que me ajudaram nessa caminhada, Professora Maria Helena, Professora Ângela Maria Freire,  Professora Eliane Maio, Lívia (é Professora, mas uma amiga bem próxima), Claudete, Leisitânia (amigas bem especiais com as quais conversei muito sobre essa formatação de meninos e meninas).



Se me recusava a aceitar um formato para ser percebida como feminina antes do mestrado, depois dele fiquei mais incomodada com qualquer tipo de formatação. Imaginei que ia passar. Ou diminuir. Que nada. Piorou.

Fiquei com dificuldade em formatar meus textos para serem aceitos por revistas/ eventos. No início achei que era cansaço. Depois de um mestrado a gente fica meio escaldada. É formatação demais, detalhe demais para observar em um texto. Aliás aqui mais um agradecimento à minha orientadora do mestrado, Inêz. Ela e a Professora Maria Helena foram fundamentais na minha compreensão de metodologia científica. Entendi que a metodologia é o coração da pesquisa. Uma pesquisa que usa metodologia inadequada pode não conseguir atingir seus objetivos ou pior, obter dados que indicam resultados incorretos.

Mas entender a importância dos procedimentos metodológicos não me deixa confortável em ‘adequar’ minha escrita e meus textos a um determinado padrão (que preconiza o uso do negrito em tal seção, de itálico em outra, ...).

Eu sei que algumas áreas de conhecimento têm maior ligação com normas, padrões. Compreendo que nessas áreas ter um texto ‘formatadinho’, dentro dos padrões exigidos por determinada revista ou evento é algo corriqueiro. Quem convive cotidianamente com certos padrões provavelmente não estranha a exigência de adequação da escrita à uma formatação. Negritos, sublinhados, itálicos, vírgulas, datas, cada coisa no lugar indicado deve ser percebida como apenas mais uma norma que deve ser seguida. Tudo bem.

Mas trabalho com temas que execram a formatação. Quem trata de homossexualidade, gênero, e temas correlatos geralmente discorda da formatação dos corpos. Tod@s autores que conheço e abordam esses temas rechaçam veementemente qualquer forma de engessamento de comportamento.

Aí vem o problema central dessa conversa: então porque diacho, eventos/ revistas que abordam questões ligadas à gênero e homossexualidade, exigem textos com tantas formatações?
Para mim isso é incoerente. Fala-se da escola como produtora e reprodutora de padrões, mas essa escrita, que reprova a formatação da escola precisa ‘caber’ na formatação do evento ou revista.

Para mim isso não está certo. Entendo a necessidade de um mínimo/máximo de caracteres. Até aceito um tamanho de letra para manter a legibilidade. Mas exigir que determinada palavra seja escrita em itálico ou negrito, com as determinadas normas de citação (que exigem uma sequência exata de cada item; autor, título, editora, ano,...) em um evento/ revista que discorda de formatação, na minha forma de pensar é preciosismo.

Deve-se citar o autor, deixar claro de onde vem a ideia descrita, mas sinceramente, não vejo sentido que essa citação siga determinada sequência. É importante deixar claro a autoria, bem como de qual obra retirou a informação, acho legal inclusive citar as páginas (se for citação textual). Mas colocar título em itálico/ negrito serve para que? E pior, a exigência de usar dois pontos antes da editora (e não ponto, ou ponto e vírgula).

Quero meus textos livres, felizes. Mostrando quem eu sou e como penso. Sem amarras, sem formatações. Prometo bem prometidinho que sempre vou dizer de onde tirei determinada ideia.

Mas não quero que minha escrita seja refém de nenhuma formatação. Nenhum engessamento. Gosto da liberdade. Por isso vou optar por escrever aqui, nesse Blog. O blog da professorinha.


Da professorinha que quer ser livre e quer que alunos e alunas possam romper as amarras e seguir a vida, plena, sem engessamentos ou formatações.

Minhas pesquisas

Pelo que sei sempre fui curiosa. Segundo minha mãe perguntava o 'porquê' de tudo...

Isso quando era criança. Mas quem nasce curiosa acredito que morre curiosa...

Só que com o tempo essa curiosidade foi orientada para a pesquisa.

Como licencianda fui orientada  a pesquisar se e como meus alunos entenderam algo.

Como já era 'meio' curiosa, lógico que assim que me vi 'dona' da 'minha' sala de aula, com meus alunos e alunas, tratei de pesquisar.

Procurava ver se as criaturinhas estavam entendendo, porque desgraça me respondiam que homem tem vagina, coisinhas assim...

Virei uma 'professora perguntadeira'. Vivia perguntando aos meus anjos tudo que tentava explicar.

Saía cada respostinha estapafúrdia. Como quando estava explicando o que é 'distância percorrida'.
Perguntei qual a distancia percorrida por um carro que vai de uma cidade A até uma cidade  B e volta para a cidade A, sabendo que a distância  entre essas cidades é de  35 km. Uma criatura responde (convicta!) 88 km. Como? Lá vou eu perguntando... A criatura responde (levantando e mostrando no quadro onde o número 35 estava escrito): vai e percorre 35 km, volta e percorre 53 (como volta, passa primeiro no número 5 e depois no 3).

Gente, essa me deixou doida. Para que desgraça eu perguntei?

Mania besta de perguntar tudo.

Depois de uma meia hora de tentativa de explicar que não é pq voltava que o número mudava (percorria 35 km na ida e 35 km na volta), a criatura já desesperada, dizia que sabia estar errada porque todo mundo (eu e a turma toda) estava explicando que a forma de pensar dela não era correta. Aí, de repente, ela olha para a gente e diz: 'entendi'. Amém!!

Tenho até hoje muitas pesquisas escritas. Pesquisava o que meus alunos e alunas pensavam por exemplo sobre uso da camisinha. Eles acreditavam que era melhor usar duas camisinhas que uma!

Fui guardando essas pesquisas, comparando uma coisa com outra, as ideias de meninos e meninas (semelhanças e diferenças), mas nunca escrevi. Isso mudou quando tentei  entrar no mestrado. Peguei os meus resultados e fui escrever. De forma acadêmica o que descobri ao longo de vinte anos em sala de aula. Lógico que nem tudo eu consegui escrever para publicar em eventos ou revistas.

Mas acho que essas pesquisas podem fornecer ideias para outros professores. Por isso vou postar aqui alguns resultados, artigos já publicados e as ideias de pesquisa que me ocorreram nestes anos.



Desastre

Tem dias que não entendo como a cabeça dessas crianças funciona.

Tudo bem, nunca fui uma criança quieta. Já me machuquei muito. Mas meus alunos e alunas às vezes conseguem me superar, e muito.

Ano passado depois de explicar um assunto aos meus alunos do 6º ano passei um exercício e fui para a janela (para sair da frente dos meus anjos que reclamavam que minha cabeça estava na frente do quadro). Através da janela vi que alguns alunos do 7º ano estavam brincando de correr no pátio. Fiquei preocupada com um possível tombo. Afinal, minha experiência em quedas me diz ser bem provável durante esse tipo de brincadeira a gente cair, se ralar, e voltar a correr.  De repente um menino leva um tombo e cai por cima do braço. Percebi na hora que o tombo foi feio. Ele caiu com todo o peso do corpo sobre o braço e não levantou. Os colegas pararam a brincadeira e correram para ele. Disse aos meus alunos para não saírem da sala e corri para onde estava o menino acidentado. Nenhum adulto tinha visto a queda nem sabia o que tinha acontecido. Poderia ser bem grave.
Quando cheguei até o menino vi que escorria sangue do seu braço. Havia um 'buraco' abaixo do cotovelo e o sangue escorria...
Tentei acalmar o menino e corri para a sala da direção. O diretor chamou o SAMU e me deu um pano limpo para tentar cobrir o ferimento. Enrolei o braço do menino e deixei ele com uma funcionária da escola. Depois fiquei sabendo que a mãe do menino chegou e foi com ele para a urgência (levados pelo SAMU).

Ele levou uns pontos e ficou tudo certo. menos mal. 

Vcs acreditam que essa semana esse mesmo menino colocou o dedo na porta (que alguém empurrou) e cortou parte do dedo? Outro corre corre (esse eu não vi, estava na sala de vídeo), levaram o menino e o pedaço do dedo para o hospital. Lá os médicos tentaram fazer o enxerto. Espero que dê tudo certo e ele não perca o dedo.

Mas no dia seguinte do acidente, na mesma sala que aconteceu o acidente, peguei alunos 'brincando' de empurrar a porta. Um empurra para dentro e outros para fora. Uma 'brincadeira para medir forças. Só que foi nesse tipo de brincadeira que o colega cortou fora parte do dedo.

Como é que essas criaturas conseguem repetir a brincadeira que pode ter custado o dedo do colega dias antes?

Juro que não entendo meus anjos...

O que é mais importante?

Para mim, gente é importante. Gente que ri, chora, que sente. Para mim viver é sentir.

Talvez por isso me preocupe com os sentimentos de meus alunos. E como crianças e adolescentes tem sentimentos exacerbados...

Bem, mas voltando às crianças: se vc trabalha em uma comunidade pobre sabe que seus alunos não vão usar tênis na escola. Usam chinelos. E às vezes as tiras quebram. Aí eles pedem um grampeador e 'consertam' o chinelo. Aprendi com eles que por trás de um aluno(a) com chinelo bem 'destruído' podemos ter um(a) criança brilhante. As roupas não dizem o que se é.

Mas essa é minha vivência. De mais de 20 anos em escolas periféricas, onde crianças às vezes não vão para a escola porque não tem o que comer.

Em uma das escolas nas quais trabalhei vi profissionais da educação mais preocupados com o tênis que a criança não usava (estava de chinelo) que com o caderno que não aparecia na sala.

Um professor reclamou na direção que um aluno estava sem tênis. Chamaram a mãe e perguntaram se ela poderia comprar. Para que o menino não ficasse diferente dos colegas. O menino apareceu com o tal tênis. Isso de usar tênis ou chinelo não me incomodava. Mas aquele menino não escrevia nada no caderno. Aliás nunca vi um caderno dele. Aí um dia, qdo eu estava meio sem paciência de ver a criatura sem copiar, perguntei: "Porque vc não copia? A resposta: "Por que não tenho caderno.". Aí eu disse: "Só isso? Se eu te der um caderno vc copia?". O menino disse que sim. Eu prometi levar o caderno. Isso foi numa sexta feira. Na segunda o menino perguntou do caderno (como não tinha saído o final de semana não havia comprado). Perguntei a ele se existia alguma coisa que ele não usaria em um caderno, como cor, desenho... Ele me disse: "Professora, qualquer caderno serve. Até rosinha se a senhora tiver em casa. Não tem problema não."
Já sabe que saí da escola e fui comprar o tal caderno. Comprei um de 12 matérias e com um carro na capa. achei bonitinho. Foi junto um kit: canetas, lápis e borracha. Quero ver agora não copiar!

Entreguei o caderno e o menino ficou feliz que nem pinto no lixo. Comentei com os colegas e eles disseram que o menino estava copiando. Realmente só faltava o caderno.


CERTEZAS...

Às vezes fico pensando em como atualmente tenho dificuldades com 'certezas absolutas'. Esse termo (certezas absolutas) me deixa com a sensação de algo imutável, pétreo. E hoje posso dizer que poucas coisas na minha vida tem esse peso. Lógico que tenho certezas, mas são tão poucas... Uma delas é o amor que sinto pela minha família. Não acredito que mude...

Já vivi a dicotomia 'certo' x 'errado', ou se preferirem 'preto' ou 'branco'. Vivia como se não existissem os meio certo/errado ou as nuances de cinza... Era mais nova e cheinha de certezas... A vida me ensinou que nem sempre as coisas são tão dicotômicas, uma coisa nem sempre é só branca ou só preta. Ela é uma mistura generosa de cores e tons, que nos alegram e surpreendem.

Como um dia que estava em um ônibus (cheio, para variar). Em um banco um pouco á minha frente estava um homem bêbado. Visivelmente bêbado, fazendo barulho, incomodando. Pensava com 'meus botões' como é que uma pessoa nesse estado pode entrar em um ônibus e ocupar uma cadeira. Mas aí uma senhora idosa entrou no ônibus. Eu estava em pé e vi claramente qdo cabeças se moveram para as janelas. Pessoas que estavam sóbrias e claramente cientes de seus atos fingiram não ver a cabeça branca da idosa. Mas o bêbado, quase pária desse ambiente, e que era reprovado por boa parte do ônibus (inclusive por mim), simplesmente se levantou e cedeu o lugar. A idosa, vendo o estado do rapaz embriagado (ele balançava e eu achava que ele podia cair em cima de alguém), agradeceu a gentileza e disse para o rapaz sentar. Ele não aceitou e disse para a senhora sentar. Que era direito dela e a mãe dele (é ele tinha mãe!) ensinou a respeitar os mais velhos. A senhora sentou e ele ficou tentando se segurar como dava....

Esse fato me fez pensar nos tons da vida... Não somos só uma coisa ou outra... Somos uma mistura de tons que vão se desvelando a cada momento.

Quando entrei no ônibus e vi o homem bêbado, tinha certezas sobre ele. Certezas essas que se desfizeram por causa de um ato limpo, honesto. Ele fez, mesmo embriagado, o que muitos não fazem sóbrios. Ele me mostrou os tons de cinza misturados ao branco e ao preto. Um ser humano ímpar!

Hoje prefiro pensar na minha vida como inundada por uma gama indescritível de tons. E o melhor é que posso passar  minhas 'certezas' (não tão 'absolutas') de um tom para o outro, sem que isso me deixe insegura. Um dia tenho mais certeza em determinado ponto, depois isso muda e a certeza vai diminuindo (e eu mudando a tonalidade da certeza, carregando mais ou menos no claro/escuro).
Tenho 'certezas', mas elas são, na maioria, volúveis. Acho tão bom isso... Mudar o tom da certeza me deixa livre para passear entre as verdades que o mundo me apresenta.


Mimeógrafo


Trabalhar em uma escola da periferia de Aracaju não é fácil. Faltava tudo. Desde giz (isso a mais ou menos 20 anos atrás) até papel para prova.

Para os(as) professores(as)mais novos o que vou contar pode parecer coisa de outro mundo, irreal. Mas era tão comum...

Nossas provas (e qualquer atividade que passássemos na escola) não eram xerocopiados. A gente usava o mimeógrafo à álcool (tinha um à tinta, que eu só vi na segunda escola na qual trabalhei). Mesmo comunicados aos pais eram  mimeografados. Xerox era luxo. E muito caro...

Sabem o que é mimeografar um texto ou desenho? É pegar uma folha de stencil (com uma tinta roxa que deixava nossas mãos arroxeadas por dias) escrever na parte própria para tanto e levar essa parte que foi escrita  para o mimeógrafo. Aí a gente rodava uma manivela e ia colocando papel ofício no mimeógrafo. No mimeógrafo tinha um lugar para colocar o álcool. O álcool servia para que a tinta que estava no stencil passasse para o papel ofício. Quando a gente rodava  a manivela, o papel entrava por um lado, rodava no cilindro onde estava a matriz (stencil escrito) e saía do outro lado com a cópia do que estava na matriz. Achei na net um vídeo que pode explicar melhor...


http://www.youtube.com/watch?v=z462TDNNITk&feature=related

Mas como eu disse a escola nessa época era pobre. MUITO pobre. A gente precisava economizar stencil, que era caro. Aí aproveitávamos todo o pedacinho de stencil. Usávamos um mais de uma vez. Aprendi com minhas colegas dessa escola que a folha que vem no meio do stencil (para evitar que o carbono do stencil se danificasse) era ótima para escrever novamente. Pq a folha apropriada a gente usava uma vez, escrevia nela e usava para tirar as cópias que queríamos. Mas qdo precisávamos de mais folhas, aí a coisa enrolava. A direção da escola racionava o stencil. Então, para 'multiplicar os pães' (nesse caso as folhas de stencil) nós usávamos um mesmo carbono mais de uma vez...

Perguntei hj a uma colega se ela chegou a usar essa folha intermediária do stencil para  'aproveitar' o carbono. Ela confirmou. Pobreza generalizada. Era uma época na qual a escola não recebia os recursos  direto do governo federal, como hj em dia. O dinheiro vinha para a secretaria de educação e lá eles compravam o que queriam e na quantidade que achavam certo. O que nem sempre atendia às reais necessidades da escola.

Outra coisa que aprendi sobre mimeógrafos: a gente podia 'raspar' com uma lâmina de gilete a parte de trás do stencil qdo errássemos algo. Não ficava muito bom, mas era melhor que riscar ou copiar tudo de novo, até pq não havia stencil para isso...

Dia dos professores

A história explica o motivo do dia 15 de outubro ser o Dia dos Professores: nessa data (só que em 1827) D. Pedro I decretou a "Primeira Lei Geral de educação no Brasil." http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Educa%C3%A7%C3%A3o-no-Imp%C3%A9rio/lei-de-15-de-outubro-de-1827.html
 Nessa lei falava-se de escolas para meninas (uma novidade!) e de como seria pago(a) o(a) professor(a).

Hj vemos a nossa profissão, que nunca foi levada a sério, ser mais aviltada que nunca. Não nos deixam ensinar como aprendemos, querem nos impor programas e projetos que não deixam margem a trabalhos simples, como as Feiras de Ciências, Mostras de trabalhos, e outras coisas que ajudam bastante os alunos a serem cidadãos. Querem que passemos de professores a 'adestradores' de alunos para que estes apenas saibam responder testes.
Quero a liberdade para formar meus alunos, para ensinar àquele que tem dificuldades de modo diferente do que consegue se sair bem. Não quero tratar todos por igual, pq sei que isso é excludente. Mas como fazer? os pacotes 'caríssimos' (eu não mandei comprar, pq diabos tenho que 'pagar a conta'?) de Programas que teoricamente ajudariam meu aluno a aprender. Como? Se esse pacote é uniforme e não deixa margem para um trabalho diferenciado com os que tiverem mais dificuldades?

Estou triste. Dia do professor deveria ser um dia só de alegrias, pelo menos para mim  que amo lecionar. Mas estão tirando meu direito de ser 'professora', um ser pensante. Querem que eu seja outra coisa, um boneco sem capacidade de pensar e produzir conhecimento. Uma mera 'orientadora de marcar o certo'. Mas como se eu aprendi que o mais importante é saber pq algo está 'errado' ou 'certo'. Se aprendi a privilegiar o processo e não o resultado.

Será que na Universidade vão ensinar agora a ser mero 'aplicador' de material?